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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Se vai à Itália, tem que ir à Veneza!

É impossível fazer uma viagem para conhecer a Itália e não incluir Veneza no roteiro. É uma cidade diferente de tudo! Está sempre incluída nas listas de cidade mais bonita, mais romântica, mais visitada... Tem que conhecer!
Imagine o resultado de uma cidade que começou porque os habitantes do continente começaram a fugir das invasões para as ilhotas da laguna, que por sua posição estratégica foi se tornando o maior entreposto comercial entre o Ocidente e o Oriente (antes da descoberta da América) e foi então aterrando e conectando as ilhotas, mantendo canais e construindo prédios que ostentassem todo seu poder e dinheiro. Isso é Veneza! Essa beleza se mantém até hoje. O fascínio é eterno! 
Muitos dizem que a cidade não vai agüentar o progresso, que vai afundar... mas a verdade é que a estrutura tem resistido bem. O que acontece é o alagamento com a maré mais alta da Piazza San Marco, o ponto mais baixo da cidade, e só.
Tem que ir! Mas, é preciso um certo planejamento Eu explico: primeiro escolher onde ficar. Existem como se fossem "duas Venezas". Uma Veneza continental, chamada Veneza Mestre e a Veneza Canal, a parte turística, que todo mundo conhece. Ficar em Veneza Mestre é mais barato, mas voce tem que ir para a Veneza Canal para fazer os passeios turísticos. Já ficar em Veneza Canal, apesar de mais caro é onde voce verdadeiramente conhece Veneza! É o ideal, mas de novo, tome alguns cuidados. Lembre que Veneza Canal, como o nome diz, tem mais canais que ruas e o transporte é o barco; são proibidos carros de turistas em Veneza. Na cidade a maneira de locomoção é a pé. Por isso, quando for para lá, lembre que sua mala tem que entrar num barco, na grande maioria das vezes sem ajuda, e existe a possibilidade de voce desembarcar relativamente longe do seu hotel e ter que "arrastar" a mala até lá. Então, nada de mala grande! Se voce chegar de carro, existem estacionamentos próximos ao embarcadouro. O mesmo se voce chegar de trem ou avião. Existem linhas de barcos como linhas de ônibus. Os barcos que funcionam como ônibus são chamados Vaporettos. Alguns hoteis oferecem um tranfer de barco, mas a parte de andar por Veneza com as malas continua. Outro ponto fundamental: a cidade é cheia de ruazinhas e vielas, sem muita organização (isso se explica pela maneira como a cidade foi se formando) e é muito fácil se perder! É necessário providenciar um mapa beeem detalhado e tê-lo sempre a mão.
Eu fiquei em Veneza Canal, no Hotel Concordia (Calle Larga S. Marco, 371 - www.hotelconcordia.it). Combinamos um transfer do próprio hotel (barco) que nos pegou no embarcadouro bem próximo de onde deixamos o nosso carro alugado (era o final da viagem) e nos deixou já na rua do hotel, então a parte de arrastar as malas pelas ruas de Veneza foi curta.
Localização do Hotel Concordia (quadrado azul na Calle Larga S. Marco). O quadrado vermelho mostra onde o barco nos deixou com a mala. Se voce optar pelo Vaporetto, vai ter que descer na Piazzeta San Marco e atravessá-la, além da Piazza San Marco
O hotel tem uma localização excelente! Fica a um passo da Piazza San Marco, o ponto principal da cidade. Dá para ver a Basilica di San Marco da janela do salão de café da manhã. Os quartos não são grandes, mas confortáveis, limpos e com uma linda decoração.
Decoração do quarto do Hotel Concordia
Quarto Hotel Concordia
O primeiro passeio obrigatório em Veneza é ir à Piazza San Marco. Olhe tudo; faça um 360 graus desse lugar, analisando cada detalhe. Para cada lado que olhar, um detalhe lindo, precioso e cheio de significado. O que domina o espaço é a Basilica de San Marco. Ela é linda e imponente por dentro e por fora. A primeira igreja foi construída nesse local em 828 para guardar as relíquias de São Marcos Evangelista que os venezianos adquiriram em Alexandria. Foi sendo reconstruída e reformada ao longo dos anos até se tornar esse monumento atual. Em estilo bizantino, tem tres mosaicos lindos na fachada central, além das imagens de São Marcos, anjos e inusitadamente 4 cavalos de bronze acima do mosaico central. Chama atenção o dourado que predomina nos mosaicos e reflete a luz do sol num efeito fantástico.
Mosaicos na fachada da Basílica de São Marcos

Mosaico da fachada central e os Cavalos de Constantinopla acima

Detalhe da fachada da Basílica com o mosaicos, os cavalos, os anjos de asas douradas e São Marcos (acho que cortei um pouco a cabeça dele!)

Detalhe do mosaico central.
Os cavalos de São Marcos são obras da Antiguidade Clássica e vieram para Veneza como parte do saque de Constantinopla. Tem um valor incalculável. Foram retirados por Napoleão (mais um saque!), mas retronaram ao seu local de honra. Os que estão na parte externa hoje são réplicas. Os verdadeiros estão numa sala de exibição do museu dos tesouros da Basílica.
No interior são tres naves horizontais e tres verticais, com mosaicos (estilo bizantino) espalhados pelos domos, paredes e chão. Não tenha pressa, são muitos, muitos detalhes! A igreja foi sendo decorada ao longo do tempo com colunas, frisos, vários produtos de saque dos marinheiros de Veneza. São tantas peças valiosas do tempo áureo do poderio de Veneza, que existe um museu que expõe essas peças. Porém a mais valiosa está no interior da Basílica, no altar central. Se chama Pala D'Oro, um retábulo bizantino de 1105, e como o nome diz é um trabalho finíssimo, todo em ouro e pedras preciosas! O museu está no alto da basilica (cuidado com as escadas!), assim como a saída para o balcão com uma vista linda para a piazza, a piazzeta e o molo, como é chamada a parte da entrada, de frente ao cais, onde há duas colunas de granito, uma com o leão alado, símbolo da cidade e outra com São Teodoro, primeiro patrono de Veneza. É o local onde as cerimonias oficiais da cidade eram realizadas e meu local favorito. A visão do cais, das gôndolas, da praça, do palacio ducal é o que há!
Molo - porta de entrada da cidade com as suas colunas e o pier das gôndolas ao fundo.
Saindo da basílica tem muita coisa para ver e curtir na praça. Compondo com suas arcadas está o Campanário de São Marcos e a Torre do Relogio (ou Torre dos Mouros), sobre um arco que dá acesso à calle (rua) Merceria, a área de compras de Veneza e que vai até próximo à ponte de Rialto.
Campanário de São Marcos
Torre do Relógio

Detalhe do Relógio com o Leão Alado símbolo de Veneza
Passeando pelas arcadas, várias lojas, restaurantes e cafés. Os cafés e restaurantes colocam mesas na praça e no fim de tarde tem música ao vivo... Sentar para tomar um café com panna (chantily) é caro pra caramba (imagina almoçar ou beber), mas é uma experiência de viagem que vale a pena. Na praça estão dois cafés tradicionalíssimos: o Quadri e o Florian. O Caffé Florian está aberto e funcionando desde 1720; o mais antigo em funcionamento continuo. O salão de chá é muito lindo! Eles tem uns sabores de chá próprios, especiais, deliciosos! E o melhor, eles vendem! Os nomes são incríveis: Venezia Triomphante, Sopro Veneziano e o meu favorito o Venezia 1720, de orange pekoe, canela, cravo e noz moscada. Na esquina com a piazzeta, há uma loja de souveniers, com artigos com bordados, os mais bonitos que já vi! 
Piazza San Marco
O centro da praça é tomado pelos pombos. A diversão é fotografá-los e ser fotografado com eles. Ainda existem aqueles fotógrafos antigos, que chamamos de "lambe-lambe", tirando fotos em preto e branco ou coloridas com a Basílica ao fundo. Para que a foto fique bem "natural" com uma revoada de pombos, os fotógrafos jogam milho para eles. As vezes jogam o milho na gente - vocês podem imaginar! Existem inclusive muitas barraquinhas para vender pacotinhos de milho na praça. As crianças se divertem! 
Os pombos são uma instituição da praça São Marcos
Da praça vai-se à piazzeta, a parte lateral da praça que a conecta com o cais. De um lado as mesmas arcadas, do outro a facha lateral do Palazzo Ducale.
Piazzeta com visão lateral da basílica 

Porta lateral da Palazzo Ducale
No Molo, a visão linda do cais cheio de gôndolas, a laguna, o Gran Canal...
Fazer um passeio de gôndola é imprescindível numa visita à Veneza. Só aqui você vai usar esse meio de transporte. Vai conhecer Veneza de um ponto de vista muito peculiar, além do que os gondoleiros são animados, falantes e cantores. Não da para ir a Veneza e não passear de gôndola!



O Palazzo Ducale faz parte de um grupo de museus de Veneza (Musei Civici), e visitá-lo é um passeio bem interessante (www.palazzoducale.visitmuve.it). O prédio é lindo todo em mármore branco, em estilo gótico veneziano e a visita serve para conhecer toda a riqueza e o poder que está cidade já teve.  Sao salas luxuosas, como a sala do Conselho e pátios todo de mármore.
Como ele servia como sede do governo, era aqui também que ficava o palácio da justiça. Logo do outro lado do canal, a prisão nova e para levar os presos para julgamento construiu-se uma ponte, conhecida como Ponte dos Suspiros, que hoje tem um significado muito mais romântico que o real, que seria o último suspiro dos condenados e não dos apaixonados.
Passeie pela Riva degli Schiavoni, a beira da laguna e pelas ruas próximas.

Riva degli Schiavoni - em primeiro plano algumas plataformas usadas em dias de alagamento para caminharmos
A região próxima à praça São Marcos é cheia de surpresas. Voce vai encontrar a Calle Valeresso, estreitinha, cheia de lojas de grife. A Calle Fiubera, onde está a confeitaria Rosa Salva com doces maravilhosos. Os trabalhos de marzipã são inacreditáveis.

A calle Merceria, da qual já falei, cheia de lojinhas. As máscaras estão por toda parte, mas especialmente por ali!
E andando por essas ruelas (tem que ter muito cuidado para não se perder!), voce pode chegar fácil a outro cartão postal de Veneza, a ponte do Rialto. Foi a primeira ponte contruída para atravessar o Grande Canal. Ela tem duas rampas e um pórtico central. As rampas tem vários cubículos laterais com lojinhas. A vista do canal é linda!
Grande Canal visto da Ponte de Rialto

Grande Canal visto da Ponte de Rialto
Depois de atravessar a ponte, é legal andar pela Riva del Vin, a rua que segue pela beira do canal. Já que se veio caminhando até aqui, a sugestão é voltar de Vaporetto. Tem um ponto aqui no Rialto e vai-se de barco até o ponto da Piazza San Marco. Vale a pena o passeio. O transito pelo canal é intenso!
Bilhete do Vaporetto
Se voce tiver mais tempo em Veneza, pode visitar a ilha de Murano, ver como são feitos os famosos objetos de vidro tão característicos. A ilha fica 2 Km ao norte de Veneza e é acessivel de vaporetto.
Eu visitei a Vitreria Nuova Bizancio e assisti uma demostração de como o vidro é moldado. Depois visitei a loja. Tudo maravilhoso, mas muito caro, aliás como tudo em Veneza.
Demonstração na Vitreria Nuova Bizancio

Demonstração na Vitreria Nuova Bizancio
Como Veneza é uma cidade diferente de tudo, é obrigatória para qualquer turista que vá para a Itália. Programe sua visita!

Sugestão de restaurantes:
RISTORANTE BEPPINO - Calle Canonica
RISTORANTE AL CHIANTI - Calle larga S. Marco
CAFFÉ SARACENO - Riva del Vin

domingo, 1 de fevereiro de 2015

A caminho de Florença

Viajar pelo interior da Itália é uma experiência inesquecível. Acho que a melhor maneira de fazer isso, é de carro. As estradas são boas; além das autoestradas existem as estradas regionais, também muito boas e com paisagens maravilhosas. O melhor de tudo: as distâncias são pequenas e tem muita coisa para se ver entre um ponto e outro.
A distância entre Roma e Florença, a capital da Toscana é de 277 Km, mas não vale a pena ir direto. Entre uma e outra passa-se pela pela região da Umbria, que é linda e tem muita coisa interessante! Dependendo do tempo que voce tem de viagem, vale até a pena ficar mais tempo na região.
A Caminho de Florença - passando pela Umbria
A cidade mais conhecida da Úmbria, parada quase que obrigatória é Assis (Assisi em italiano), a 185 Km de Roma. É uma cidade medieval, murada, bem preservada, famosa por ser a cidade natal de São Francisco de Assis, santo padroeiro da Itália e onde hoje existe a sua Basílica. Foi considerada pela UNESCO Patrimonio da Humanidade em 2000.
Primeira vista da cidade de Assis
Existem no mesmo lugar duas Basílicas: a superior e a inferior. A inferior começou a ser construída logo após a canonização de São Francisco e representa a penitência. Abriga a cripta com o túmulo do Santo. A superior, que representa a glória, é mais colorida e iluminada. Em ambas se veem vários afrescos com representações bíblicas e da vida de Sào Francisco, atribuídos a Cimabue, Giotto e seus auxiliares. Infelizmente muitos desses afrescos estão deteriorados pelo tempo (são de 1230!) e foram parcialmente destruídos por um terremoto em 1997, juntamente com o teto da Basílica. Ela ficou 2 anos fechada para restauro. Como fui em janeiro, existia um grande Presépio montado na praça em frente à Basílica.
Fachada da Basílica Superior em Assis

Presépio montado em frente à Basílica Superior
Vale a pena percorrer o restante da cidade medieval, que é muito bonita e está super bem cuidada. O passeio é feito todo a pé, pois os carros não entram na cidade. Ficam todos num grande estacionamento fora das muralhas. Andar sem pressa pelas ruelas, a praça (Piazza del Comune) com seu Templo de Minerva e observar a visão panorâmica que se tem da região (a cidade fica no alto de uma colina). Pode-se visitar também a Basílica de Santa Clara onde está o corpo (preservado!) da santa.
Praça central da cidade


As ruas estreitas da cidade

Vista da cidade a partir da Basílica
Pensando que Assis foi uma parada estratégica a meio caminho para Florença, é uma boa idéia almoçar aqui. Voce pode comer na Trattoria da Erminio (foi minha escolha), com cozinha típica da Umbria, fica na Via Montecavallo, 19 - essa rua é meio escondida, não se assuste se ficar perdida! As massas são ótimas, vale a pena procurar. Outra opção que pesquisei é a Taverna dei Consoli (Vicolo della Fortezza,1); tem uma vista panorâmica da cidade.

Outra opção de parada a caminho de Florença é a cidade de Spoleto, a 97 Km de Roma. Com uma boa organização, dá até para visitar Spoleto e Assis antes de chegar a Florença. Numa viagem a Itáliá há mais tempo, eu fiz essas duas visitas num mesmo dia.
Spoleto é uma cidade muito antiga, rica em evidencias de desde antes da ocupação romana. Fica numa região belíssima, com áreas de preservação da vegetação natural, os bosques. A estrada regional que corta esses bosques também nos oferece, próximo à Spoleto a visão da Ponte delle Torri (ponte das Torres), um aqueduto do século XIII.
A cidade é bonita, cheia de gente e atividade! Eu almocei no Ristorante Del Mercato, na Piazza del Mercato, 19.
Essa minha passagem por Spoleto foi há muito tempo e infelizmente não consegui as fotos... Ficaram somente as lembranças, vívidas; inclusive a sensação do sabor e da textura de um risoto de queijo parmiggiano que comi nesse restaurante de Spoleto. Ele só era colocado no seu prato na sua propria mesa, pois era preparado dentro  de um enorme queijo servindo de panela! Maravilhoso!

Esse foi só o começo dessa passagem pelo interior desse país sensacional que é a Itália. Florença será o ponto para conhecer outra região linda, a Toscana! Mas esse é assunto para um outro dia. Até lá!

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Todos os caminhos levam a Roma!

Ah a Itália! Que país fantástico para visitar! Faz tempo que não vou lá e a vontade agora vem aumentando...
Achar meu "diário" da última viagem, só aumentou essa vontade. Quem sabe 2016?
Para matar a saudade, vou recordar a viagem que fiz em janeiro de 2008. Época de inverno, mas o frio não foi impeditivo; deu para aproveitar bastante.
Iniciei a viagem por Roma, cidade que descrevo aqui neste post.
Cidade linda, tão icônica para mim como Paris e Londres. Também como nessas duas, as possibilidades de passeios são infinitas. Voce pode ir várias vezes e sempre existirão coisas novas para fazer.
Fiquei hospedada no Hotel Ludovisi Palace (via Ludovisi, 43 - www.ludovisipalacehotel.com). O hotel fica num prédio antigo, de 1900, todo reformado, com quartos bem confortáveis. A localização é excelente. A Via Ludovisi é perpendicular à Via Veneto, uma rua famosa, elegante, bonita, arborizada, cheia de restaurantes, lojas e bares, inclusive um Hard Rock Café. Bem próximo, estão a Piazza Barberini, a Fontana di Trevi e a Scalinata di Spagna. Há estações de metro na Piazza Barberini e Scalinata di Spagna e um ponto daqueles onibus de dois andares para citytour logo em frente ao hotel.

Via Ludovisi
No primeiro dia, como cheguei na parte da tarde, fiz um lanche no Café de Paris (Via Veneto, 90), um restaurante famoso por conta do filme La Dolce Vita. O legal é ficar na parte externa - fica na calçada, mas é fechado por vidro - alguns chamam aquario. A comida foi boa, o serviço também, mas os preços meio salgados. Esse restaurante era de propriedade de uma família ligada à máfia e foi "confiscado" pelo governo em 2008/2009. Reabriu "sob nova direção"em 2011. Como fui em janeiro de 2008, acho que peguei a fase mafiosa!
Depois de comer, desci a Via Veneto, sem pressa, apreciando o caminho até a Piazza Barberini. É um local bastante movimentado, por ser um entrocamento viário, mas dá para abstrair isso tudo e apreciar a Fontana del Tritone (fonte de Tritão), escultura de Bernini.
Piazza Barberini e Fontana dei Tritone
Essa será a primeira de muitas fontes que vamos ver. Roma é a cidade das fontes, das igrejas e das colinas também. São 7 e nas andanças se percebe um aclive/declive, mas nada muito íngreme.
Aqui abro um parênteses: a parte turística de Roma é bem compacta e dependendo do tempo que voce tem, dá para fazer praticamente tudo a pé. Não perca a oportunidade de andar pelas ruas e apreciar a atmosfera da cidade. Use transporte o menos possível.
Da praça segui pela Via del Tritone, para chegar à Fontana de Trevi (mais uma fonte e essa a mais famosa)!
Coloquei uma mapa abaixo com as opções de caminho, a ou b, mas independente do caminho,chega o momento que voce dá de cara com ela: a famosa Fontana de Trevi!
LEGENDA: 1 -  Piazza Barberini; 2 - Fontana de Trevi; a - vire a esquerda na Via della Panetteria e depois a direita na Via dei Lavatore ou vá através da Piazza Accademia di San Luca; b - vire a esquerda pela Via Poli
Mesmo para quem já conhece de foto, ao vivo ela impressiona pela beleza e pelo tamanho. Parece que ela foi feita numa escala maior de que todos os outros prédios ao redor.
Nessa minha estada em Roma, ela havia acabado de ser restaurada, então estava linda, clara, reluzente.
Não importa a hora do dia ou a estação do ano, voce vai encontrar muitos turistas, todos apreciando a beleza da fonte e fazendo a simpatia mais famosa - jogar uma moedinha na água, de costas, para ter sorte e retornar à Roma.
Fontana di Trevi ao anoitecer
Perto da fonte existe uma sorveteria muito boa, no Bar e Restaurante Fontana di Trevi (Via del Lavatore, 53). Não deixe de tomar um gelato! Meu preferido é o de frutti di bosco (frutas do bosque - frutas vermelhas), mas o de stracciatella (flocos) é bom, o de cioccolato (chocolate) é bom, ai, ai, acho que todos são uma delícia. Descubra seu preferido.
Os sorvetes em Roma são um capítulo a parte!
Depois desse passeio, como já era tarde e eu ainda estava sob o efeito do voo, voltei para o hotel para descansar e aproveitar o proximo dia. Mas se voce tem o dia todo, pode visitar o parque Vila Borghese, que fica a 5 minutos do hotel, pode também ir visitar o Quirinal, uma das 7 colinas da cidade, onde ela foi fundada. Fica aqui também a residencia do Presidente da República - a partir da Fontana di Trevi, vá pela Via di San Vincenzo e depois Via della Lataria.
Outra opção ótima é pegar um daqueles ônibus de dois andares e fazer um citytour completo. Ajuda principalmente para passar/visitar pontos mais distantes do centro turístico como o Circo Máximo e a Piazza del Popolo. O mais legal em Roma é observar as pessoas na rua, ver como o transito é maluco, como os sinais de trânsito são "mera sugestão", e o onibus cumpre bem essa função, além de te dar uma ótima idéia da localização dos pontos turísticos. Tem várias empresas que fazem isso; eu usei a Ciao Roma porque tinha um ponto na frente do meu hotel.


Outro ponto muito conhecido de Roma é a Scalinata di Spagna. É um grande ponto de encontro de turistas. Fica bem próximo a Piazza Barberini, consequentemente próximo ao meu hotel. Andando novamente então pela Via del Tritone, pode-se entrar a direita na Via Sistina e chega-se na Scalinata pela parte do alto onde está a igreja de Trinitá dei Monti.
Se seguir um pouco mais pela Via del Tritone, entra-se a direita na Via Due Macelli, passa pela Piazza Mingnanelli e Piazza di Spagna com a Fontana dela Barcaccia. É uma região de muito comércio, bom para compras de roupas e acessórios.
Perpendicular à praça, fica a Via dei Condotti. Mulheres, estejam preparadas! Aqui estão as lojas das grifes italianas (e internacionais também) mais famosas: Gucci, Prada, Pucci, Ferragamo, Armani... É de enlouquecer! Pena que os preços são impeditivos. De qualquer maneira, vale a pena só olhar.
Via dei Condotti
Os homens não gostam muito, claro, mas uma maneira de convecê-los é que essa rua é caminho para a Piazza Augusto Imperatore, onde no número trinta, está o Restaurante Alfredo! Bem pertinho do restaurante está o Mausoléu de Augusto e o Museu dell'Ara Pacis, construído em torno de um altar à deusa Pax (Paz) contruído em 9 a.C. Eu não fui nesse desta vez mas certamente irei na minha próxima visita!
Um outro passeio que também começa na Piazza Barberini é seguir pela Via delle 4 Fontane, que como o próprio nome diz, tem um cruzamento com 4 fontes, uma em cada esquina, e chegar a Basilica de Santa Maria Maggiore (Maior). 
Uma das 4 fontes
Essa é uma das quatro igrejas patriarcais de Roma e a mais antiga do ocidente. Seus mosaicos são muito lindos; há um relicário com relíquias que se diz são parte da manjedoura de Jesus.
Daqui, pela Via Cavour, chega-se à Igreja di San Pietro in Vincoli (correias). Essa igreja não é tão imponente como as outras igrejas romanas, mas é famosa por ter como relíquias as correntes que prenderam São Pedro e principalmente pela grande estátua de Moisés feita por Michelangelo. Diz a lenda que o próprio autor a considerou tão perfeita que só faltava falar! Vale a pena ir para apreciar os detalhes dessa obra. Fantástica!
Estátua de Moisés de Michelangelo na Igreja de San Pietro in Vincoli
As reliquias de San Pietro in Vincoli, Como era época de Natal, havia presépios em todas as igrejas.
Como tudo em Roma é perto, daqui chega-se fácil ao Coliseu e a toda a área do fórum romano - a Roma mais antiga, através do Largo della Polveriera.
Vamos então falar sobe a Roma Antiga! 
A maioria dos monumentos se concentra em torno da Via dei Fori Imperiale (Avenida do Fórum Imperial), no Palatino (outra das 7 colinas de Roma), e vai desde o Colosseo (Coliseu) até a Piazza Venezia onde está o monumento a Vitorio Emanuelle II, o unificador da Itália (tem muita coisa em Roma com esse nome). O monumento também é chamado de Altar da Pátria.
A gente tem muita expectativa, pelo menos eu tinha, de ver esses prédios, de presenciar ao vivo uma parte da história. Mas temos que lembrar que essas construções tem mais de 2 mil anos! Eles estão lá  sujeitos às interpéries, resistindo ao tempo e ao progresso, e na verdade não sobrou muita coisa. Então, o que está no seu guia como Templo de Castor e Polux, por exemplo, pode ser somente uma meia coluna, que um dia já foi coberta de mármore. Com um pouquinho de imaginação porém, você consegue vislumbrar a grandiosidade do passado. Existe um museu, um pouco afastado do centro, o Museo della Civiltá Romana (Museu da Civilização Romana - Piazza Giovanni Agnelli, 10) onde existem maquetes de como eram esses prédios no auge. Ajuda a ter uma idéia do esplendor da Roma antiga. Infelizmente, parece estar fechado para restauro.
O ponto alto da visita do Foro Romano é a visita ao Coliseu. Ele é impressionante!
O lado de fora já é uma festa! Muitos turistas, muitos ambulantes, gladiadores romanos que por poucos euros, dólares ou até mesmo reais, tiram fotos com você. Eles são divertidos! Aliás, como a maioria dos italianos, que gostam de conversar, falam muito, além de terem um senso estético fantástico.
Voltando ao Coliseu, você pode também conhecê-lo por dentro (com ingresso). Eu recomendo uma visita guiada, pois as explicações sobre a construção e as histórias são bem interessantes.
Vista interior do Coliseu
  
Parte externa do Coliseu e Arco de Constantino
Saindo do Coliseu, gaste seu tempo ao redor, vendo o Arco de Constantino e entrando para conhecer o Forum Romano propriamente dito.
Leve sempre um folheto (ou guia)  explicando que ruína foi o que, para não ficar achando que é tudo um amontoado de pedras.



Panoramica do Forum Romano



Depóis do Forum, ande pela Via dei Fori Imperiale até a Piazza Venezia, vendo mais monumentos dessa fase tão especial da história dessa cidade. À esquerda, nas paredes do forum Romano, estão vários mapas do mundo com os domínios de Roma assinalados em cada um. Incrível ver a extensão desse domínio pelo mundo!
Um dos mapas mostrando a extensão do Imperio Romano
Eu dei sorte, pois o dia que escolhi para fazer esse passeio, dia 6 de janeiro, era dia de Reis, que para os italianos é o dia da Epifania e é feriado. A avenida do Foro Imperial estava fechada para carros; foi ótimo poder me livrar um pouco do trânsito maluco de Roma!
Via dei Fori Imperiali sem carro nenhum!
Na Piazza Venezia, voltamos a encontrar a arquitetura da Roma renascentista e o trânsito também. Para atravessar as ruas aqui tem que ter coragem!
A praça é cercada por palácios lindos: Palazzo Venezia, Palazzo Generali e Palazzo Bonaparte, além do monumento todo branco a Vitorio Emanuelle II.
Bem próximo à praça, fica a colina capitolina, onde está a praça do Campidoglio. É uma das praças mais bonitas de Roma, desenhada por Michelangelo e chega-se por uma rampa. Ela é cercada por museus e pela igreja de Santa Maria de Aracoeli. Os museus tem um grande acervo de pinturas e esculturas, mas acho que o maior acervo romano está nas igrejas, nas ruas, de graça. Eu prefiro essa opção.
Da Piazza Venezia pode-se seguir pela Via Plebiscito e Corso Vitorio Emanuelle II até a Piazza Navona, passando pela linda Igreja dei Gesú, e depois andar até o Panteon, ou seguir pela Via del Corso e Via del Seminario até o Panteon e depois ir a Piazza Navona.
A Chiesa del Gesú (Igreja dos jesuítas - Via delli Astali, 16) é lindíssima, em estilo barroco.
A Piazza Navona é linda, longa, na forma dos antigos estádios romanos. Ela possui tres fontes: a central a Fontana dei Quattro Fiumi (Fonte dos 4 Rios) e a Fontana del Moro e Fontana di Nettuno além da Chiesa di Sant'Agnese in Agone (Igreja de Santa Agnes em Agonia).
Piazza Navona com a feira do Dia da Epifania
Para nós brasileiros ela tem uma importância especial pois a Embaixada Brasileira está aqui, no Palácio Pamphili.
Palacio Pamphili - Embaixada Brasileira
Quando cheguei, a praça estava cheia de barraquinhas de uma feira de artesanato e doces, ainda em comemoração ao dia da Epifania. Assim descobrimos que para os italianinhos, mais querido que o Papai Noel é a bruxinha boa Befana, que na noite de 5 para 6 de janeiro, se voce for bonzinho, enche sua meia de doces; caso contrário, enche de carvão!
Na praça existem vários restaurantes; mesmo com um perfil muito turístico, é um lugar bem agradável para almoçar. Bem próximo fica uma pizzaria, simples, familiar mas deliciosa a Pizzeria da Baffetto. Vale a pena!

O Panteon fica próximo. Que visão! No centro de uma praça com cafés, restaurantes, fonte - como todas as praças em Roma - um templo! Já foi templo pagão, já foi igreja, hoje é um mausoléu. O pintor Rafael e Vitorio Emanuelle II (ele de novo!) estão enterrados aqui. Ele tem a parte frontal clássica, com colunas e a parte de trás circular com uma cúpula linda. Para mim, talvez (difícil escolher!), seja o lugar mais surpreendente de Roma.
Panteão de Agripa

praça atrás do Panteão
 


Na rua ao lado do Panteon, fica a Cartoleria Pantheon (papelaria) com com artigos feitos a mão muito especiais (Via della Rotonda,30).

Para conhecer tudo com calma, voce vai precisar de uns tres dias na cidade, aproveitando pelo menos uma noite para conhecer o bairro de Trastevere, do outro lado do rio Tibre. Bairro boemio, com uma vida noturna animada.
Ponte sobre o Rio Tevere (Tibre)
 

Reserve mais um dia na cidade pois falta conhecer o Vaticano e isso vai durar o dia todo.
Comecei o passeio no Castel Sant'Angelo (Castelo do Santo Anjo), também conhecido como mausoléu de Adriano, na margem direita do rio Tibre. Acho que ele é mais bonito de fora que de dentro. Há vários pintores no entorno. A ponte de Sant'Angelo em frente ao castelo também é muito bonita.
Na margem do rio Tibre, em frente ao Castel Sant'Angelo
Castelo do Santo Anjo
Logo próximo ao castelo está a Via della Conciliazione (Conciliação) e ao final dela o Vaticano.
Se começa a conhecer o lugar pela praça enorme em frente a Basílica de São Pedro e sua colunata. Na época da minha visita ainda pude apreciar a gigantesca árvore de Natal e o presépio em tamanho natural.
Via della Conciliazione

Presépio da praça de São Pedro

Praça em frente a Basilica de São Pedro, tendo ao fundo parte das colunatas, o obelisco e a árvore de natal
A próxima etapa é entrar para visitar a Basilica de São Pedro. Nunca é demais lembrar que a visitação dessa, assim como de todas as igrejas de Roma é grátis, mas eles são rigorosos com a vestimenta. A Basílica é gigantesca e cheia de surpresas: o Baldaquino do altar central. os mosaicos, as muitas estátuas, uma delas a Pietá.
Pietá de Michelangelo
Ainda dentro da Basílica, se pode visitar as tumbas dos papas no subsolo e o museu dos tesouros do Vaticano.
Por último, o Museu do Vaticano. Prepare-se pois ele é gigantesco! O ideal é pegar um guia do museu e escolher as seções de maior interesse. Voce pode baixar um mapa pelo site do museu: http://www.museivaticani.va/1_CommonFiles/pdf/mappa_musei_vaticani.pdf.
Mesmo que selecione as partes de maior interesse, não deixe de conhecer a Galeria dos Mapas e obviamente a Capela Sistina.
Galeria dos Mapas - Museu do Vaticano

Galeria dos Mapas

Galeria dos Mapas

Para a visita ao museu, cuidado com bolsas, mochilas, guarda-chuvas e alimentos - não são permitidos. Também há restrição com vestimentas e com fotografias - sempre sem flash (na Capela Sistina nem assim). Por falar em Capela Sistina, ela é maravilhosa, mas tem que ir lá ver; primeiro porque não se pode fotografar e segundo porque as fotos não fazem jus a beleza das pinturas!

Bom, Roma, a cidade eterna, tem milhares de possibilidades de passeios. Descrevi os que fiz tomando como referencia a localização do meu hotel, mas como disse no início, a cidade é pequena, todas essas atrações de algum modo são próximas, então voce pode começar por qualquer uma e montar como voce quer conectá-las. Certamente haverão inúmeras novas possibilidades! Eu espero ser uma a acrescentar novidades; como joguei minha moeda na Fontana de Trevi assim que cheguei, certamente retornarei!

ENDEREÇOS DE MAIS ALGUNS RESTAURANTES:
Suggestum Café
Via V. Veneto, 14a

Don Chisciotte
Piazza Navona, 103

Restaurante Massenzio
Largo Corrado Ricci, 2/4 (próximo a Via dei Fori Imperiale)

Moretto Selfservice
Via di Porta Angelica, 49/53 - Vaticano