sexta-feira, 18 de maio de 2018

Conhecendo o universo de Gaudi

Antoni Plàcid Gaudi y Cornet arquiteto que estudou, viveu, trabalhou e morreu em Barcelona, foi a maoir expressão do Modernismo Catalão, ramo do movimento art nouveau que pregava a integração entre arte, arquitetura e natureza. Esse movimento criou um modelo arquitetônico interessantíssimo e muito diferente, e faz parte de qualquer roteiro pela cidade de Barcelona conhecer e entender esse movimento artístico. Acredite você não se arrependerá!
Além de Gaudi existem obras de outros arquitetos que também odem ser conhecidas hoje como o Palau de La Musica Catalana e Hospital Saint Pau (falo sobre eles depois), mas as mais icônicas são as de Gaudi, que estão em sua maioria nessa cidade e num dia de passeio podemos fazer um "Circuito Gaudi", fazendo uma imersão de história, conhecimento e beleza. Vamos lá!
Você pode começão seu roteiro pelo Parc Guell.
Um pouco mais longe do centro e com espaços abertos, seria mais agradável de conhecer num horário de sol não tão quente, principalmente se a viagem for na primavera ou verão. Também é uma opção fazer a visita bem no final do dia para ver o por do sol, numa das melhores vistas da cidade de Barcelona.
A visita é paga, são 8 euros. O ingresso tem hora marcada para entrar (você pode atrasar só um pouco), mas você pode ficar o tempo que quiser. Como tem hora para entrar e pode haver fila (nos períodos de alta temporada), se deixar para comprar na hora, pode perder muito tempo esperando; é legal comprar com antecedência no site do parque. Outra dica legal é baixar o aplicativo do parque, pois cada azulejo, cada degrau, cada pilastra tem um explicação e uma história que valem a pena!
Pronta pra iniciar a visita - ao fundo um dos edifícios da entrada com a característica decoração com cerâmica partida.
Detalhes da Escadaria Monumental. 
Ainda na escadaria o dragão ou salamandra acima do escudo da Catalunha, todos feitos com trencadís a técnica de revestir com cacos de cerâmica.

Detalhe da salamandra que já se tornou um símbolo da cidade de Barcelona
Detalhe das colunas e do teto (incrível!) da Sala Hipostila
Jardins de Austria - área que seria destinada como condomínio no projeto inicial, mas se transformou num viveiro de plantas quando o parque se tornou público.
Vista da cidade a partir da praça superior, a Praça da Natureza.
Portico da Lavadeira
Rampa que liga o pátio superior ao inferior

Visão geral do parque através do segundo andar de uma das casinhas da área de acesso onde funciona uma livraria.
Bom, depois desse maravilhoso aperitivo vamos para aquela que é considerada a obra da vida de Gaudi, que dedicou mais de 40 anos a ela: o Templo Expiatório da Sagrada Família, em 2010 transformado em Basílica Menor da Sagrada Família, e que se  tornou o símbolo de Barcelona.
O templo teve sua construção iniciada em 1882 e a partir de 1883 Gaudi assumiu o projeto, chefiando a construção até sua morte em 1926. A construção continua até hoje com verba somente de doações e a data prevista para o término é 2026.
O projeto de Gaudi prevê uma igreja em forma de cruz latina, com 18 torres das quais 8 já estão cosntruídas. As fachadas laterais simbolizam a Natividade e a Paixão de Cristo. A fachada da Natividade juntamente com a cripta da igreja que se encontra abaixo do altar-mor foram executadas por Gaudi em sua quase totalidade, o que fez com que se tornassem patrimônio da UNESCO em 2005. A fachada da Paixão foi iniciada em 1952. A fachada central, ainda em construção, é a fachada da Glória. Para o interior da igreja Gaudi propôs uma estrutura que se assemelhasse a uma floresta, com um conjunto de colunas. Os vitrais são um capítulo a parte. São tantos detalhes, tantos simbolismos! 
A visita também tem hora marcada e seu ingresso contribui para a construção dessa maravilha. A entrada básica custa 15 euros, mas eu recomendo muito a Experiência Guiada por 24 euros, justamente porque são muitos detalhes, muitas histórias que valem a pena. Vai durar em torno de uma hora e depois você fica livre para ficar mais o tempo que quiser. A compra é feita preferencialmente pelo site.
Vista da fachada da Anunciação
Detalhe da fachada da Anunciação

Detalhe da fachada da Anunciação
Porta da Anunciação - entrada para o início do tour guiado

Essas torres já estão terminadas!
Fachada da Paixão

Detalhe da fachada da Paixão
Interior da Basílica com as colunas lembrando árvores
Interior da Basílica
Altar-Mor
Detalhe dos vitrais. Na hora da minha visita infelizmente a luz não favoreceu as fotos. Fui no começo da tarde. Acho que pela manhã seria ideal.
O mais legal pra mim na visita à Sagrada Família, é que eu já estive lá mais de uma vez: da primeira, só era possível ver a fachada da Anunciação; na segunda já existia a fachada da Paixão e as colunas do interior; nessa última as fachadas laterais estão prontas e o interior também, com todos os vitrais colocados. Mal posso esperar para voltar e ver a fachada da Glória pronta!
Próximo passo é partir para o Passeig de Gracia, no Eixample, onde estão duas casas feitas para particulares. A casa Milá e a a casa Batló.
A casa Milá no numero 92 do Passeig de Gracia, também é chamada de La Pedrera, pois achavam que ela se parecia um enorme bloco de pedra, mas na verdade, olhando para ela, não se vê uma só linha reta; parecem dunas de areia, ou ondas do mar. Típico de Gaudí usar formas que imitem a natureza! Como era costume na época, os andares inferiores do edifício serviriam para moradia do Sr Milá e os superiores para locação. Nessa casa a visita inclui o pátio interno, como seria um apartamento típico da burguesia (aqueles para locação), o ultimo andar todo abobadado onde funcionava a lavanderia e hoje uma amostra com maquetes do projeto e o melhor de toda a visita, o terraço! A visita custa 22 euros e tem um audioguia incluido. Acho que para todas as obras de Gaudí, guia, audioguia, smartguia são fundamentais para que não se perca nenhum detalhe! Tudo tem significado em cada obra; então só entrar e olhar sem entender não tem graça! Tem hora marcada para entrar (essa é a rotina), mas eu consegui comprar na hora, na propria casa, sem muita fila. Acho que de todas as obras de Gaudí essa é a menos visitada. Na alta temporada vale o mesmo conselho das outras: compre com antecedência pela internet.
Visão geral de La Pedrera - não há linhas retas na fachada, lembrando ondas ou dunas. Há quem diga que lembra uma colméia.
Detalhe da fachada externa
Portão de entrada
Detalhe do teto do hall de entrada
Prédio visto do pátio interno.

Detalhe da rampa de acesso do pátio interno para os andares
Apartamento mobiliado como na época - início do século XX

Sacada de ferro vista a partir de um dos quartos

Modelo de quarto
É uma surpresa muito grande chegar no terraço e dar de cara com essas chaminés!

Dá para acreditar que essa formas foram desenhadas e construídas em 1906?

O terraço é o ponto alto dessa visita.
E para terminar, a famosíssima Casa Batló! Situada também no Passeig de Gracia, número 43, podemos dizer que é a "cereja do bolo". Embora a Sagrada Família seja o trabalho da vida de Gaudí, a casa Batló, pequena e tão cheia de detalhes é uma jóia! Ele foi contratado por José Batló Casanovas para reformar um edifício de 1875. Foi feita uma reorganização do espaço, dois andares foram acrescentados, o terraço foi remodelado e as modificações criaram iluminação e ventilação natural. Assim como em La Pedrera esse também é um imóvel de renda, onde mora o proprietário e também locatários. Tanta beleza e fama tem um preço: muita gente na frente e nas filas! O ingresso tem horário marcado e deve ser comprado online com antecedência. O preço é maior que das outras atrações, mas tem desconto para compra online. O mobiliário é bem mais escasso mas o ingresso dá direito a um smartguide que mostra os ambientes totalmente decorados além dos vários detalhes incríveis pensados por Gaudí. A visita tem duração aproximada de 1 hora e o ingresso básico (com smartguide) sai por 24,50 euros. O fastpass para fugir das filas 29,50 euros e existe uma opção para o último horário (20h) que termina com um coquetel no terraço! Além da visita, o ingresso de 39 euros dá direito a dois drinks e tem música ao vivo esperando no terraço. Eu fiz a visita das 19h, então não tive o drink e a música mas já peguei o terraço iluminado e arrumado e um entardecer sobre a cidade de Barcelona bem legal.
Fachada da Casa Batló no Passeig de Gracia

Detalhe da parede toda colorida e da sacada e seu formato original
Detalhes das portas internas
Varanda da sala principal com a vista privilegiada do Passeig

As colunas tem detalhes interessantes e os vidros coloridos são lindos!
Área interna para iluminação e ventilação .
Varanda

Terraço

Entardecer no terraço da Casa Batló
É um universo lindo e diferente de tudo que já vi nessas minhas andanças! Aconselho qualquer pessoa que vá a Barcelona visitar pelo menos uma dessas "obras de arte"! A imperdível seria a Basílica da Sagrada Família em segundo a Casa Batló.

Em tempo: há o site e aplicativo Tiqets que vende ingressos para todas essas atrações.




terça-feira, 1 de maio de 2018

Introduzindo a viagem a uma cidade muito especial: Barcelona!

Barcelona é um destino turístico que atende gostos variados e eu acho que esse é um dos seus principais segredos de sucesso.
Localização privilegiada junto ao mar Mediterrâneo, clima agradável, muita história e muita cultura gerando inúmeros pontos turísticos, arquitetura ímpar, culinária excelente, vida noturna animada, muitos eventos esportivos, enfim, de tudo um pouco!
Ela é a capital da comunidade autônoma da Catalunha e a segunda maior cidade da Espanha em população. Além da vocação turística é a quarta melhor cidade da Europa para negócios.
Apesar de ser uma cidade grande, a gente fica com a impressão que tudo é perto e estamos numa cidade menor. Adoro isso!
Adoro também que essa cidade tenha uma história longa, desde a Roma Antiga (ou mesmo antes!), e que seja possível encontrar sinais dessa longa ocupação por toda a cidade. É como uma aula de história ao vivo e eu adoro história!
Mapa mostrando a proximidade física entre partes de Barcelona representativas dos vários momentos históricos da cidade: o Bairro Gótico (parte da Cuitat Vella, Cidade Velha; o Eixample, a parte Modernista e ao redor, mas perto, a parte mais atual.
Dizem que a cidade existe desde os tempos romanos e foi fundada sobre as ruínas de um povoado ibérico de nome Barcino.
Escultura BARCINO, alusão ao antigo nome de Barcelona, de Joan Brossa i Cuervo, no Bairro Gótico
A cidade cresceu bastante até a Idade Média, se tornando uma potência econômica devido à sua localização estratégica, desde os tempos de Carlos Magno, quando se tornou capital de condado, e mesmo depois da fusão com o reino de Aragão. 
Ainda hoje podemos ter uma ideia de como era a cidade nessa época passeando pelo Bairro Gótico. 
Bairro Gótico: ruelas, igrejas, praças! Passeio imperdível!
A partir do século XIV a cidade começou a entrar em decadência, principalmente devido à grande tensão entre os catalães e o povo do reino de Castela, os castelhanos.
A partir do século XVIII, devido à industrialização, houve uma recuperação econômica e grande crescimento da cidade. Foi criado um projeto urbanístico pioneiro, o Plan Cerdá. O engenheiro Ildefonso Cerdá foi o responsável por expandir a cidade para além dos muros medievais, criando ruas e avenidas amplas para fácil circulação e vias de acesso diagonais, criando um traçado que existe até hoje. Nessa incorporação com regiões vizinhas criou-se o Eixample, distrito onde encontram-se pontos conhecidos até hoje como a Praça da Catalunha, o Passeio de Gracia, as Ramblas, a avenida Diagonal, a Gran Via e a Praça da Sagrada Família.
Como nesse projeto os prédios tinham altura pré-determinada, os moradores da região resolveram fazer com que os edifícios ficassem diferentes e atestassem o seu status, com projetos arquitetônicos inovadores. 
Fachada de "La Pedrera" um projeto arquitetônico de Antoni Gaudí no Passeig de Gracia
Essa também foi uma época de prédios públicos fantásticos! Palau de La Musica Catalana, Hospital Saint Pau, Plaza de Espanha, Sagrada Familia, Parc Guell, nossa muita coisa! Esse estilo arquitetônico tão próprio ficou conhecido como Modernismo Catalão, e tornou conhecidos Luís Domènech i Montaner, Josep Puig i Cadafalch e principalmente Antoni Gaudí.
Entrada do Parc Guell
Foi uma época de ouro para essa cidade! Depois disso, ficou meio esquecida durante os períodos da Guerra Civil Espanhola e do Franquismo, até que sofreu um enorme e bem sucedido processo de revitalização para os Jogos Olímpicos de 1992. Alem de um novo processo urbanístico, de onde surgiram o anel olímpico no Montjuic, a vila olímpica em Poble Nou e o porto olímpico, houve um renascimento cultural intenso e transformou Barcelona novamente num polo turístico e cultural.
Edifícios modernos da região do porto olímpico.
Já estive nessa cidade várias vezes, a primeira delas um mês antes dos Jogos Olímpicos de 1992, e pude presenciar como a cidade estava linda! E continua linda até essa última vez (por enquanto) em setembro de 2017!
Várias reviravoltas e preservação da história, povo alegre e simpático, segredos do fama de Barcelona!
Pretendo apresentar a cidade por partes, então, até lá!
Bye!

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Paris: um passeio pelas ilhas do Sena

Outro passeio imperdível quando se vai à Paris, é a visita das atrações que se situam nas ilhas do rio Sena. Sendo a maior e mais conhecida delas a visita à Catedral de Notre Dame.
São duas ilhas maiores, a Île de la Cité, a maior e a Île Saint-Louis. Na Île de la Cité, estão os primeiros sinais de ocupação humana na região de Paris; primeiro os francos (chamados parisii), depois os romanos e a ocupação não parou mais.
Cartão postal (coisa antiga, não? mas eu amo!) mostrando o rio Sena, suas pontes e as duas ilhas: Île de la Cité e Île Saint Louis
Começo atravessando a Place du Carrousel, em frente ao Louvre e vou até o Quai François Mitterand (quai, traduzido como doca, é o nome de todas as avenidas nas margens do rio; cada parte tem um nome diferente). O passeio já começa interessante, vendo o rio, entre árvores, a beleza das pontes e o museu do Louvre por ângulos bem diferentes.
Fachada lateral do Museu do Louvre

Apreciando o rio Sena
Já na chegada ao quai, olhando para o lado da Praça da Concórdia, vemos a Pont Royal, linda com seus arcos.
Pont Royal e seus arcos. Linda!
Vista da Pont des Arts e das torres da Notre Dame ao fundo obtida da Pont du Caroussel
Começo minha caminhada na direção oposta, em direção as ilhas pelo Quai François Mitterrand, ladeando o museu do Louvre, até me aproximar da Pont des Arts, uma estrutura metálica muito bonita. Uma ponte somente para pedestres, que liga o Institut de France na margem esquerda ao Louvre na margem direita. Super, mega conhecida como a ponte dos cadeados de amor. Acho que todo mundo já sabe dessa tradição, de colocar numa ponte, principalmente na Pont des Arts, um cadeado com os nomes do casal. Acontece que a tradição se espalhou de tal forma e a quantidade de cadeados ficou tão grande, que em 2015 a prefeitura de Paris, retirou os cadeados dessa ponte, alegando questões de segurança para a estrutura da ponte e para quem passa de barco embaixo. Os cadeados retirados estão sendo leiloados, e as grades da ponte hoje em dia viraram locais para street art. As grades nas laterais da ponte no quai continuam cheias de cadeados ainda, e outras pontes como a Pont de l’Archevêché, atrás da Catedral de Notre Dame também.

Pont des Arts vista ao longe. Já dá para notar as laterais sem os cadeados, somente com painéis.
Alguns cadeados foram transferidos para as grades na entrada da ponte
A ponte de l'Archevêché também está cheia de cadeados

Ao redor da entrada da ponte, estão vários artesãos vendendo seus trabalhos, sempre muitas aquarelas sobre Paris, muita coisa linda! Essa área tem as famosas caixas metálicas verdes dos “bouquinistes”, uma instituição cultural parisiense.
As caixas verdes metálicas dos "bouquinistes"
Depois da Pont des Arts, continuo meu caminho descendo para o Quai des Tuileries, no nível do rio, até próximo à Pont Neuf. Essa ponte apesar do nome (neuf = nova) é a ponte mais antiga de Paris e a primeira que já dá acesso a Île de la Cité.  


Descendo para o Quai inferior

Avistando a Pont Neuf
Descansando nos bancos que existem na Pont Neuf
Esse passeio pela margem ao nível do rio pode ficar ainda mais interessante se for verão e estiver funcionando a Paris Plage, um evento super legal sobre o qual já falei num outro post: O que ainda se pode dizer sobre Paris?
Paris Plage - evento que ocorre no verão
Paris Plage
Desse ponto em diante eu volto ao nível mais alto seguindo pelo Quai du Louvre e Quai de la Mégisserie, passo pela Fontaine de Châtelet e entro na Pont au Change para iniciar a exploração da Île de la Cité.
Chegando à Pont au Change
De cara a gente já vê melhor um edifício que vem chamando atenção por grande parte do passeio, o prédio da Conciergerie. Ele foi restaurado e está lindo!
Avistando a Conciergerie
A Conciergerie (2, Boulevard du Palais) é uma parte do antigo palácio real que existia na ilha, assim como a Sainte Chapelle o próximo ponto que podemos visitar e o Palácio da Justiça. Quando a família real mudou-se para o Palácio do Louvre, esse palácio ficou funcionando com tribunal e depois também como prisão. Em francês, o encarregado das prisões é o “concierge”, daí o nome de Conciergerie para essa parte que juntamente com a Sainte Chapelle, resistiu ao tempo e às revoluções. Por falar em revolução, na época da Revolução Francesa a Conciergerie teve seu prisioneiro mais famoso, a Rainha Maria Antonieta, que ficou presa lá até ser morta na guilhotina ma Place de la Concorde. Numa das torres da Conciergerie está o relógio público mais antigo de Paris. Desde o início do século XX o prédio é aberto para visitação de seus salões e celas.
O mais antigo relógio público de Paris numa das torres da Conciergerie
Outra parte do antigo palácio que resiste até hoje, é a Sainte Chapelle (8, Boulevard du Palais). Hoje ela se encontra dentro do Palácio da Justiça, mas pode ser visitada, mediante compra de ingresso. Vale um lembrete: como ela se encontra dentro do Palácio da Justiça, mesmo com compra antecipada de ingressos, para entrar tem que passar por detector de metais, então tem fila! Como sempre que viajamos queremos fazer muitas coisas num só dia, é bom lembrar desse detalhe quando fizer sua programação. Separe um tempo maior para essa visita. Se por esse motivo está pensando em pular essa atração, saiba que essa capela pequena é considerada uma joia da arquitetura gótica! Foi construída dentro do palácio real pelo rei Luís IX (depois São Luís) e abrigava uma relíquia da coroa de espinhos de Cristo (ter relíquias sacras era uma prática comum na época medieval). Tem dois andares, o de baixo para os súditos, toda ornamentada em vermelho e azul e decorada com a flor de lis, símbolo da realeza francesa e o segundo andar para a família real, com paredes praticamente toda recoberta por vitrais. Durante a Revolução Francesa a capela foi vandalizada, com destruição dos bancos, altares e dispersão das relíquias, mas os vitrais ficaram intactos! Ela estava sendo usada como escritório e as paredes estavam cobertas por enormes armários que protegeram esse vitrais, para nosso deleite!
Detalhe dos vitrais da Sainte Chapelle
Depois da visita à Sainte Chapelle, saia para o Boulevard du Palais, entre na Rue de Lutéce e vire à direita na Rue de la Cité. Em poucos metros já vamos ver a praça em frente à Notre Dame (Parvis). Nessa praça fica o Marco Zero da cidade de Paris. No subsolo está a Cripta Arqueológica aberta para visitação, com resquícios de construções das primeiras ocupações da ilha.
Aqui você está de frente para ela: a famosa Catedral de Notre Dame!
Fachada da Catedral de Notre Dame
Ela é ícone do estilo gótico e começou a ser construída em 1163! Dá para acreditar? Em 2013 ela comemorou 850 anos em grande estilo!
Em 2013 a Catedral comemorou 850 anos

Além de serviços religiosos regulares a Catedral sempre abriga concertos, principalmnete no ano em que comemorou 850 anos.
Quando se olha para a Catedral é possível dividi-la em três níveis horizontais e três colunas. Ela pode ser visitada por dentro, claro, e aconselho a fazer isso, mas é bom perder um tempinho olhando a estrutura externa.  Eu sei que existe fila para entrar, isso gera pressa, mas vale a pena perder um tempo olhando, nem que seja depois da visita, na saída.
Sempre linda!

Quanto mais perto mais detalhes a gente reconhece

Tres níveis horizontais e tres colunas /disitntas.
No nível inferior encontram-se três portais, cheios de detalhes; o da direita dedicado à Santa Ana, o da esquerda à Virgem e o central, maior é o Portal do Julgamento Final. Acima dos portais existe uma galeria de estátuas representando os Reis da Judéia.
Detalhe dos portais e da galeria dos reis
Detalhe de um dos portais

Detalhe dos portais
No nível intermediário fica a Rosácea, em vitral.
Rosácea vista do interior da catedral.
No nível superior estão as torres: sul, onde estão os sinos (o Emanuel, único sobrevivente, agora acompanhado dos novos) e norte onde se pode subir (são cerca de 400 degraus, sem acessibilidade) e ter uma visão da cidade, além de apreciar de perto as famosas gárgulas. Aqui mais que para entrar na Catedral as filas são enormes! Sempre importante programar o tempo se você quiser e tiver pique para subir até lá.
Entrando, você pode fazer a visita sozinho, observando os detalhes do coro, as capelas laterais, o altar central e seus entalhes, o órgão enorme recentemente restaurado, os transeptos e suas rasáceas. Existe também a possibilidade de visitas guiadas ou áudio guias, que você pode alugar no interior da igreja mesmo.
Detalhe do interior da Catedral

Detalhe do interior da Catedral.
Voltando ao lado de fora, parta para analisar a Catedral de outros ângulos, o jardim lateral à direita e a praça João XXIII atrás, de onde se tem uma vista maravilhosa dos arcobotantes.
Jardim do lado direito da Catedral.

Praça Joâo XXIII na parte de trás da Catedral.

Detalhe dos arcobotantes
Depois dessa visita à Catedral, imperdível, mas cercada de muita gente e agitação, está na hora de conhecer a Île de Saint-Louis, atrás da Île de la Cité, um verdadeiro oásis! Muito mais tranquila, com casas residenciais e pequenos comércios.
Atravessando a ponte São Luis em direção à ilha do mesmo nome.
Aproveitei para sentar e tomar um vinho rosé na La Brasserie de l’Isle Saint-Louis, descansar e apreciar a vida! Bem francês, não é?
Pausa para descansar e apreciar a tranquilidade da ilha saboreando um vinho rosé da Provence
Depois dessa parada o ideal é passear pela Rue Saint-Louis en l’Île, e não passe por aqui sem provar o famoso sorvete Berthillon no numero 29-31. Da última vez que estive lá provei o caramel au berré salé (caramelo salgado) e estava delicioso!  
Continue o passeio pela Rue des Deux Ponts e pelo Quai Bourbon. Tenho um interesse particular em passar por aqui pois no número 19 morou Camille Claudel, uma escultora discípula de Rodin, que admiro.
Passeando pelas ruas tranquilas da Île Saint-Louis
Vista do Quai de Bourbon
Voltando para a Île de La Cité, tem várias maneiras de continuar esse passeio:
É possível visitar o Hotel de Ville (a prefeitura de Paris), que fica bem próxima; é só atravessar a Pont d’Arcole. Coloquei a visita ao Hotel de Ville, no primeiro post, quando do passeio pela Rue de Rivoli (post Passeio pela região do Louvre), mas é possível juntar com esse passeio às ilhas.
Se quiser parar para almoço, sugiro o restaurante AU BOUGNAT (26, rue Chanoinesse), próximo à Catedral de Notre Dame.
Outra opção seria seguir para a margem esquerda e passear pelas pequenas ruas do Quartier Latin. Muitas ruelas interessantes, muitos pequenos cafés, restaurantes, livrarias, lojas, gente.
Caminhando pelas ruelas do Quartier Latin

Caminhando pelas ruas do Quartier Latin
Tem muita coisa para ver no Quartier Latin, tradicionalmente um bairro boêmio, mas por hoje o melhor é comer para terminar esse dia longo. Uma sugestão é o Le Petit Chatelet ( 39, rue de la Boucherie).
Mapa da região mostrada no post. Os pontos verdes são pontos descritos e de interesse.

P.S. se você chegou até aqui na leitura, obrigada! Esse post ficou longo mas eram vários detalhes interessantes, que eu achei que valia a pena colocar!